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Old Posted Jan 4, 2018, 11:41 AM
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Entorno DF: Em três anos, transporte semiurbano perdeu quase 33% dos passageiros





Dados da Agência Nacional de Transportes Terrestres - ANTT enviados pelas empresas de ônibus revelam que o sistema semiurbano do Entorno perdeu quase 18 milhões de passageiros entre 2013 e 2016.

O índice de demanda é um importante componente que permite a avaliação do atendimento do transporte semiurbano, em cada faixa horária e em cada linha. Os números referem-se ao número de validações feitas por cada usuário ao longo do itinerário, ida e volta.



A partir de 2014 não houve alteração no comportamento histórico da demanda de passageiros transportados, entretanto, o transporte semiurbano deixou de transportar significativas parcelas de usuários.

A evasão dos passageiros no Entorno pode ser atribuída à migração para o transporte individual, preço das passagens, insegurança e longo tempo de espera nas paradas. Sobre este último, surge outro problema: o transporte pirata.

Para quem mora no limite da divisa com o DF, é recorrente a utilização dos ônibus do sistema urbano de Brasília devido a uma frequência maior no atendimento e a integração do sistema por meio do Bilhete Único.

Para 2017, constam somente dados relativos ao primeiro semestre. Para uma melhor análise, quando observa-se o cenário mês a mês no período 2013-2017, identifica-se grandes oscilações na demanda transportada.



Em comparação com o mesmo período de 2016, houve uma retração de 3,5% no número de passageiros transportados. Ao considerarmos o período 2013-2017, a queda chega a 36,5%. A recessão econômica, agravada a partir de 2015, é outro fator para a queda da demanda.



Ao analisar a demanda e a quilometragem percorrida pelos ônibus no Entorno, temos o IPK - Índice de Passageiros por Quilômetro.

Este índice é relativo a produtividade de cada viagem dos ônibus, e resulta da divisão da média mensal de passageiros transportados pela média mensal da quilometragem. Quanto maior esse indicador, maior é a produtividade do serviço de transporte, ou seja, quanto mais passageiros forem transportados com menos quilometragem, melhor.

Ampliando as redes de atendimento do transporte coletivo, porém com número cada vez menor de passageiros, resulta-se em baixo IPK que, por sua vez, força para cima o valor da tarifa. Cabe destacar que as cidades do Entorno são caracterizadas em sua maioria por forte espraiamento urbano e baixas densidades populacionais, reflexo do ritmo de crescimento acelerado dos bairros que compõem estes municípios.

Quanto mais longe o transporte tem que ir, mais baixo é seu IPK, e por consequência, mais caro é o custo do serviço, e por sua vez maior será a tarifa para o usuário.

Como a operação no Entorno não é subsidiada, todos os custos do transporte são arcados unicamente pela tarifa para diretamente pelos passageiros - apesar de haver um significativo índice de gratuidades no sistema dado à sua característica metropolitana.

Ao observar este indicador de produtividade sob a ótica de quem remunera o serviço do transporte, ou seja, quem paga a tarifa cheia, temos o IPKe - Índice de Passageiros Equivalente por Quilômetro.

A partir desse índice é permitido identificar quanto de receita é gerado por linha. Isso quer dizer que o número de passageiros que utiliza o transporte é diretamente responsável pela arrecadação de receitas.

Naturalmente o índice tende a ser menor ou próximo do IPK. Quanto maior for a diferença, pior é a rentabilidade do sistema.



Uma tarifa não módica é prejudicial tanto para o operador, quanto para o usuário. Para as concessionárias, um valor alto torna o ônibus menos atrativo. Para o usuário, se o gasto mensal com transporte justificar a compra parcelada de um carro ou moto, ele não pensará duas vezes em migrar para o transporte individual.

Como o transporte semiurbano é remunerado apenas por quem paga a tarifa, a redução da demanda causa um desequilíbrio financeiro, levando a insustentabilidade do serviço, que cai em um ciclo vicioso, no qual o aumento da tarifa leva à ineficiência na prestação do serviço, que reduz a demanda, o que, por sua vez, exige novos reajustes.






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